No início do século XX, o
Japão enfrentou um momento de necessidade de emigração. O país estava
superpovoado e se sustentava basicamente por meio de técnicas agrícolas da
época, o que limitava a produção ao alimento que era consumido pela população.
Dessa forma, era impossível formar estoques para períodos de seca ou guerra.
O principal fator da imigração japonesa para o Brasil,
que começou no século XX, foi para suprir uma demanda da falta
de mão-de-obra estrangeira nas lavouras de café, o momento pelo qual o Japão passava
era de crescimento populacional (superpopulação),
por conta de não conseguir gerar emprego para toda população que lá havia, foi
feito um acordo imigratório entre o governo dos dois países para
favorecê-los. Kasuto-Maru (símbolo do início da
comunidade japonesa no Brasil) foi o
primeiro navio japonês a chegar no Brasil, esse saiu do porto de Kobe e
parou na cidade de Santos (litoral brasileiro) com 65 famílias abordo.
A ocupação japonesa ocorreu na
Rua Conde de Sarzedas, no distrito da Sé. Foi somente após a 2º Guerra Mundial,
com o aumento da chegada de imigrantes japoneses no país, que estas pessoas
passaram a ocupar as regiões das ruas Galvão Bueno e Estudantes, no bairro da
Liberdade.
Neste período, houve um forte
processo de resistência negra, marcado pela presença das escolas de samba
Paulistano da Glória, na Rua da Glória, entre os anos 1940 e 1980, e Lavapés
Pirata Negro, a mais antiga escola de samba paulistana em atividade, fundada
nos anos 1930. "Outro fator de resistência é o fenômeno da Frente Negra
Brasileira, importante organização com sede na Avenida Liberdade, onde hoje é a
Casa de Portugal, com ramificações em todo o estado, em outras localidades do
Brasil e até no exterior, que em 1936 chegou a se registrar como partido
político, logo extinto pelo Estado Novo", explicou Ferreira.
Em 23 de julho de 1953, Yoshikazu Tanaka inaugurou na rua Galvão Bueno um prédio de 5 andares, com salão, restaurante, hotel e uma grande sala de projeção no andar térreo, para 1.500 espectadores, batizado de Cine Niterói. Eram exibidos semanalmente filmes diferentes produzidos no Japão, para o entretenimento dos japoneses de São Paulo.
A rua Galvão Bueno passa a ser
o centro do bairro japonês, crescendo ao redor do Cine Niterói, tendo recebido
parte dos comerciantes expulsos da rua Conde de Sarzedas. Era ali que os
japoneses podiam encontrar um cantinho do Japão e matar saudades da terra natal.
Na sua época áurea, funcionavam na região os cines Niterói, Nippon (na rua
Santa Luzia – atual sede da Associação Aichi Kenjin kai), Jóia (na praça Carlos
Gomes – hoje igreja evangélica) e Tokyo (rua São Joaquim – também igreja).
Graças à iniciativa da Associação da Liberdade, o bairro recebeu decoração no estilo oriental, com a instalação de lanternas suzurantõ. Em 1973, a Liberdade foi vencedora do concurso de decoração de ruas das festas natalinas. Em 28 de janeiro de 1974, a Associação de Confraternização dos Lojistas passou a ser chamada oficialmente de Associação dos Lojistas da Liberdade. Seu primeiro presidente, Tsuyoshi Mizumoto, buscou a caracterização do bairro oriental.
A Liberdade atualmente deixou
de ser um reduto exclusivo dos japoneses. Muitos deixaram de residir na região,
mantendo apenas seus estabelecimentos comerciais. Com isso, o bairro passou a
ser procurado também por chineses e coreanos.
Além e lojas, restaurantes e bares orientais, o bairro passou a oferecer outros atrativos. A praça da Liberdade é utilizada como palco para manifestações culturais, como o bon odori, dança folclórica japonesa. Os palcos dos cinemas japoneses passaram a receber também artistas e cantores japoneses.
Referências bibliográfica:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade_(bairro_de_S%C3%A3o_Paulo)
https://www.culturajaponesa.com.br/index.php/historia/imigracao/historia-do-bairro-da-liberdade/
https://lagrandepoderosablog.wordpress.com/2014/05/28/cinema-japones-na-liberdade/
https://www.culturajaponesa.com.br/index.php/historia/imigracao/cine-niteroi/
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